Sobre a Rede

Apresentação:

A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária é um espaço de articulação de experiências de inserção no trabalho constituídos por trabalhadores, que são usuários da Rede de Saúde Mental do Estado de São Paulo.

Buscando desenvolver atividades de comercialização, formação, troca de conhecimentos e tecnologias sociais. Bem como, constituir processos de enunciação coletiva, que busquem fortalecer essas iniciativas da saúde mental no conjunto do tecido social. A participação na Rede se realiza com a presença em suas reuniões mensais e na participação nas atividades organizadas coletivamente.

Leia o texto: Rede de Saúde Mental e ECOSOL: a construção de uma rede de colaboração solidária

Dados do Cadastramento início de 2012 – Sistematização por Leo Pinho: Informações sobre as atividades econômicas dos empreendimentos solidários da REDE

Rede de Saúde Mental e Economia Solidária*

rede-de-saude-mental-e-ecosol1

“…o direito de sermos um pouco loucos e sonhar,
é ter uma economia solidária tão ampla que o capitalismo
seja eventualmente um implante, e não o contrário.”
Paul Singer

_

_

Devido à atuação do movimento pela Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial nas últimas décadas houve uma grande mudança de paradigma em relação à assistência em Saúde Mental no Brasil. Estamos passando progressivamente de um modelo manicomial/hospitalocêntrico centrado na exclusão social do “doente mental” para um modelo de tratamento aberto territorial-comunitário, onde os Centros de Atenção Psicossocial são a base ordenadora de uma rede de serviços regionalizados e que atendem sua população preferencialmente em seus próprios bairros.

Na medida em que se substitui o modelo asilar, o resgate dessas pessoas enquanto cidadãos vai se tornando uma necessidade. Para que ocorra um processo de inclusão social e promoção da real cidadania necessitamos de projetos que possam tecer uma rede que dê sustentação ao que hoje temos de investimentos no campo da saúde mental, no que se refere à melhoria das condições de tratamento, de moradia e trabalho. A reforma psiquiátrica ainda tem que enfrentar de maneira objetiva as dificuldades que estão no caminho da reintegração dos usuários destes serviços substitutivos ao modelo hostpitalocêntrico.

Como refere Pedro Gabriel Delgado:

“…a reforma psiquiátrica não é uma tecnologia de
montar serviços de saúde mental, mas um movimento
social de transformação profunda e de fato das concepções
sobre a loucura e sobre a diferença.”

Aí se insere o campo do trabalho enquanto um dos eixos fundamentais do processo de inclusão social, uma vez que resgata a cidadania e aumenta o poder de trocas sociais, transformando o usuário de saúde mental em cidadão atuante com maior participação de negociação no mundo. Na tentativa de suprir essa necessidade, algumas formas de geração de trabalho e renda vêm sendo experimentadas nesses últimos anos, desde oficinas de produção artesanal até projetos de prestação de serviços. Tais alternativas são implantadas via de regra dentro de serviços públicos de Saúde Mental – como CAPS e Centros de Convivência – e têm seu mercado muito restrito às pessoas que freqüentam tais serviços, o que tem impossibilitado o aumento da geração de renda e o aumento do público consumidor.

Mas pensar em um trabalho onde os desejos, a criatividade e o transbordamento da loucura sejam levados em conta não cabe no modo capitalista de produção. Por isso a escolha pela economia solidária tenha sido algo natural ao longo do processo de produção de conhecimento nessa área.

O modelo cooperativista e associativista, fundamento dos projetos de economia solidária, nomeia a luta e a força de resistência dos excluídos pelo mercado, propõe uma organização do trabalho que opta por incluir e acolher diferenças, permitindo o estabelecimento de uma produção a partir de princípios até então aniquilados pelo modo capitalista de existência, como a solidariedade e a cooperação. Diferentemente do manicômio e de suas terapias pelo trabalho onde esse é puro falseamento da realidade para a manutenção da estrutura manicomial, aqui, na discussão e no campo da economia solidária, a inadequação à norma e à disciplina massacrante da instituição psiquiátrica não implicam anulação do direito de trabalhar. Sua forma de organizar o trabalho e a cadeia produtiva e o modo de conceber e tratar a diferença apresenta pontos de semelhança com a lógica instituída pelo projeto antimanicomial.

Quando os coletivos ligados a saúde mental (técnicos, usuários, familiares, militante e etc) decidem construir unidades produtivas guiadas por tais princípios é porque busca-se meios de organizar a capacidade de produzir e gerar renda para garantir os direitos de cidadão, sem, contudo, reduzir essa capacidade ao que o capitalismo diz: que somos simples mercadorias. E aí é que talvez resida a ousadia desses coletivos: construir lugares que possam comportar os corpos, idéias, desejos, habilidades, gostos e sonhos, numa trama que diversifica lugares e condições, de modo a fazer caber as diferenças e singularidades.

A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária surge, primeiramente, como dispositivo que aponta a falência do manicômio, ao mesmo tempo em que tece possibilidades reais de contrapor a lógica de exclusão do capitalismo, tentando resgatar o fazer, os desejos e os transbordamentos daqueles que se propõe a dar algum sentido à loucura.

A Rede é resultado de um conjunto de atividades organizadas entre a Saúde Mental e a Economia Solidária. Mas, foi a partir de uma aproximação de projetos/empreendimentos da saúde mental com o Fórum Paulista de Economia Solidária que a Rede foi se constituindo e, está atualmente em processo de afirmação e desenvolvimento.

No ano de 2008, duas atividades de discussão e formação entre atores da Reforma Psiquiátrica marcaram a agenda desses encontros: as atividades contaram com a presença do Prof. Dr. Valmor Schiochet, do Núcleo de Programas Sociais da Superintendência Regional do Trabalho-SP, além do Fórum Paulista de ECOSOL. As atividades ocorreram no Programa de Pós Graduação de Enfermagem – USP e no CAPS Itaim Bibi.

A partir dessas atividades diversos projetos de geração de trabalho e renda, empreendimentos, associações, pesquisadores, usuários e técnicos da saúde mental começaram a se organizar e realizar reuniões quinzenais para a formação da Rede de Saúde Mental e Economia Solidária.

Uma das iniciativas foi a elaboração de um questionário e a sua distribuição para preenchimento pelos projetos com o intuito de mapear essas iniciativas e, identificar as principais características dos mesmos; suas necessidades e realizações.

Atualmente os projetos/empreendimentos mapeados já contam com um total de 180 trabalhadores envolvidos e mais de três dezenas de técnicos.

Para o ano de 2009, a Rede em parceria com o FPES, o Programa de Pós Graduação de Enfermagem-USP, o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Saúde Mental e Economia Solidária da USP e o Núcleo de Programas Sociais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego-SP organizou um Curso de Formação para 25 multiplicadores entre usuários e técnicos da saúde mental, voltados a potencializar a Rede e suas ações econômicas, sociais e culturais. Esse curso está marcado para iniciar suas atividades no dia 07 de março. Os 25 multiplicadores buscarão trabalhar junto aos projetos/empreendimentos através da constituição de atividades conjuntas de formação técnica, comercialização e troca de conhecimentos e tecnologias.

Os objetivos da Rede que apontamos como importantes:

– Criar e organizar um banco de dados de projetos de geração de renda;

– Captar recursos para comercialização e divulgação;

– Oferecer suporte para que estes projetos se profissionalizem;

– Fortalecer os projetos através de rede de apoio;

– Criar um campo de conhecimento com discussão da produção teórica já existente e criar novos dispositivos teóricos;

– Contribuir para ampliar o conhecimento sobre a SM na sociedade.

– Pressionar o poder público para a criação de uma política pública de financiamento para as iniciativas de geração de trabalho e renda.

* Marilia Capponi Sebastião Oliveira Neto, Leonardo Pinho, Solange Dias de Oliveira e Elizabeth.

Apresentação sobre o processo de construiçao da Rede:

Anúncios

16 Responses to Sobre a Rede

  1. patricia- UBS V. JACUI disse:

    Boa Tarde!
    Gostaria de saber como poderia incluir um grupo de pacientes de saude mental – UBS V. JACUI,para participar deste evento – feira solidaria e se vcs fornecem algum suporte com relação as oficinas .
    HÁ TAMBÉM TENHO DUVIDAS COM RELAÇÃO A RECADAÇÃO DA VERBA DA FEIRA ?
    PATRICIA

  2. Rede de Saúde Mental e Ecosol disse:

    Ola,

    A próxima reunião da Rede será no dia 17 de junho, as 16hs na Associação Franco Basaglia (no CAPS Itapeva). As reuniões tem sua agenda publicada na página principal da Rede (botão inicio). Para participar dos próximos eventos da Rede, basta participar da mesma. Esperamos vocês da UBS V. Jacui em nossa próxima reunião.

    A arrecadação da I Feira (a venda nas barracas) foram totalmente revertidas para os projetos de trabalho, sem haver nenhuma taxa.

  3. evelange Maria de Oliveira Alves disse:

    Estou respondendo por referencia técnica regional de minas gerais, a minha região tem ações muito incipientes, gostaria de receber mais informações desse órgão para ajudar os municípios implantar esses serviços.

  4. Fabiana disse:

    Olá!
    Gostaria de saber a data da próxima reunião.
    Obrigada.

  5. Rolando Lazarte disse:

    Sou terapeuta comunitário e sociólogo, e fico admirado muito positivamente pela existência e propósitos desta rede, que visa abrir espações de cidadania e humanização das pessoas com transtornos mentais.

  6. Márcia Gomes Barros disse:

    Sou estagiária de Serviço Social formando em Janeiro,
    meu tcc é (saúde mental e serviço Social no Caps: os desafios da intervenção na rede sócio-assistencia em Garanhuns)
    inclusive estou no caps, enquanto reflexões percibi a necessidade de trabalho em rede, sou de Garanhuns-PE como faria para tentar implantar um projeto desse tipo tenhho tres meses de estágios se me ajudarem com informações tentarei com toda garra pois percebo a urgencia de projeto neste contexto.
    Márcia me mande por imail
    marciagomes.saude@hotmail.com

    • responderemos no seu email … saudações solidarias

    • Márcia Gomes Barros disse:

      Olá obrigado pela atenção me enviando imail, porém não entendi os links foi para informação?
      sejam mais específico, seria uma saída para colaborar com os usuários de saúde mental?
      Como iniciar atravez da rede solidária?Tenho a distancia por ser de Pernembuco, mais com certeza voces é uma luz.

      • os links são elementos de informação… montar uma Rede Solidária é um espaço de articulação de pessoas, projetos de trabalho… e a partir dessa articulação que as atividades (formação, feiras etc) aconteçam.. Assim, mandamos esse link para subsidiar as possibilidades, experiencias já exitosas… acompanhe nosso site e veja nossas ações.. são pistas para vcs trilharem seus caminhos…

  7. Debora disse:

    Olá! Gostei muito de trabalho de vocês!
    Existe alguma forma de participar da equipe? Sou psicóloga.
    Obrigada!

  8. Paula Faria disse:

    Gostaria de saber a data da próxima reunião.
    Sou Terapeuta Ocupacional Caps Fernandopolis e estamos buscando orientação para implementação de Oficinas Geração de Renda.
    Atenciosamente
    Paula Faria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: